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Memantina e síndrome de Down: na foto, dois jovens brancos com síndrome de Down se abraçam e olham para baixo

A Alana Foundation e a Federa√ß√£o Brasileira das Associa√ß√Ķes de S√≠ndrome de Down (FBASD) realizaram um webinar no dia 29 de abril para apresentar uma pesquisa sobre o uso de memantina, medicamento recomendado para o tratamento de indiv√≠duos com Alzheimer, como potencial tratamento para melhorar a cogni√ß√£o de pessoas com s√≠ndrome de Down ou trissomia do cromossomo 21 (T21).

Financiado pela Alana Foundation, com apoio da Awakening Angels Foundation (EUA), e em parceria com institui√ß√Ķes dos Estados Unidos e do Brasil, o estudo foi publicado em janeiro de 2022 no peri√≥dico The Lancet Neurology, revista m√©dica n√ļmero um do mundo na √°rea de neurologia. Os resultados apontam que a utiliza√ß√£o de memantina pode ser uma op√ß√£o futura de tratamento para pessoas com s√≠ndrome de Down.

O encontro “Estudo da memantina na trissomia 21: resultados e implica√ß√Ķes futuras” reuniu os pesquisadores Alberto Costa, m√©dico, neurocientista e diretor de pesquisas cl√≠nicas da Associa√ß√£o Internacional para Pesquisa em T21 – Trisomy 21 Research Society (T21RS), e¬† Ana Claudia Brand√£o, pediatra do Centro de Especialidades Pedi√°tricas do Hospital Israelita Albert Einstein, que lideraram a pesquisa nos Estados Unidos e no Brasil. A conversa foi mediada por Alex Duarte, especialista em Psicopedagogia Cl√≠nica e Institucional, e Fernanda Machado, designer gr√°fica com s√≠ndrome de Down que participou da Expedi√ß√£o 21 – Primeira Imers√£o de Empoderamento para pessoas com defici√™ncia intelectual.¬†

Os pesquisadores apresentaram, de forma simples e acess√≠vel, os objetivos e os desdobramentos dessa pesquisa como resultado de um esfor√ßo para promover a sa√ļde das pessoas com s√≠ndrome de Down. Assista:

Apesar de não ter demonstrado a eficácia esperada no desempenho cognitivo das pessoas com síndrome de Down, a pesquisa levantou a possibilidade de que elas podem metabolizar medicamentos, como a memantina, de uma forma não usual. O estudo ainda levanta a hipótese de que tratamentos com dosagens maiores possam beneficiar essas pessoas. Essa descoberta abre espaço para novos debates sobre tratamentos capazes de melhorar os déficits cognitivos associados à T21. 

Pessoas com s√≠ndrome de Down desenvolvem a forma mais precoce da doen√ßa de Alzheimer, aponta Alberto Costa: ‚ÄúEssa patologia √© praticamente universal aos 40 anos de idade para essas pessoas‚ÄĚ. Ana Claudia Brand√£o comenta que o estudo pretende trazer mais ferramentas para que elas possam ampliar a mem√≥ria, e consequentemente, sua atua√ß√£o e o seu protagonismo nas escolas, no mercado de trabalho e na sociedade. ‚ÄúVisamos a melhoria da qualidade de vida delas, associada √† sa√ļde, ao trabalho, ao bem-estar, ao senso de pertencimento e seguran√ßa e √† qualidade do ambiente.‚ÄĚ

E por que uma pesquisa com a memantina? ‚ÄúJ√° existem v√°rios estudos pr√©-cl√≠nicos utilizando a memantina que trazem resultados animadores e positivos e que nos fizeram planejar estudos cl√≠nicos, ou seja, que envolvem seres humanos. A memantina tamb√©m j√° √© usada, com comprova√ß√£o de seguran√ßa e efic√°cia no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa no tratamento para o Alzheimer. No nosso pa√≠s, est√° dispon√≠vel nas farm√°cias e no Sistema √önico de Sa√ļde, o SUS, ou seja, √© uma medica√ß√£o acess√≠vel para a popula√ß√£o‚ÄĚ, completa a pesquisadora.

Ainda serão necessários novos estudos para que se possa avaliar se tratamentos com dosagens maiores poderão beneficiar as pessoas com síndrome de Down, pois assim será possível ter certeza de que a memantina terá impacto na qualidade de vida dessas pessoas. 

Acesse a pesquisa (em inglês) na íntegra aqui.

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