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Foto em preto e branco de uma crian√ßa segurando tablet. Texto na imagem: inf√Ęncia e tecnologia em tempos de pandemia

Especialistas convidados pelo Alana respondem perguntas sobre inf√Ęncia e tecnologia durante a pandemia

As vidas das fam√≠lias mudaram rapidamente desde o in√≠cio da quarentena. Milh√Ķes de crian√ßas est√£o em casa enquanto pais, m√£es e respons√°veis se veem imersos nas demandas pessoais e profissionais.¬†

Nesse contexto, o ambiente digital desponta como um recurso fundamental, ainda que não garantido a todas as famílias. Além disso, oferece diversas oportunidades de conexão e socialização com os amigos e familiares. Bem como tem sido uma maneira de acesso à cultura e de novas formas de aprender e brincar. Apesar disso, o ambiente digital também apresenta desafios que precisam ser conhecidos e cuidados.

Muitas pessoas tendem a avaliar o uso da tecnologia pelas crian√ßas com base em apenas um crit√©rio: o tempo de tela. No entanto, pesquisadores e especialistas, bem como as recomenda√ß√Ķes de organiza√ß√Ķes como sociedades de pediatras, UNICEF e OMS defendem que em uma rela√ß√£o saud√°vel com o ambiente digital deve prevalecer boas experi√™ncias e o respeito √† privacidade e a capacidade de desconectar das crian√ßas.

√Č fundamental reconhecer que isso requer a√ß√Ķes sist√™micas de diversos setores. Isto √©, da sociedade, do governos, das empresas, das plataformas e toda a ind√ļstria da tecnologia. E o que as fam√≠lias podem fazer para ajudar as crian√ßas a terem rela√ß√Ķes √©ticas, saud√°veis e criativas com as tecnologias?¬†

Para contribuir com esse momento hist√≥rico que estamos vivendo e auxiliar fam√≠lias nas rela√ß√Ķes das crian√ßas com as telas lan√ßamos nas redes sociais do Instituto Alana uma s√©rie de v√≠deos com depoimentos dos nossos especialistas. A seguir elencamos algumas dessas quest√Ķes. Os v√≠deos sobre inf√Ęncia e tecnologia est√£o dispon√≠veis no YouTube do Instituto.¬†

Inf√Ęncia e tecnologia durante a pandemia

> Como a tecnologia pode ajudar as crianças a enfrentar esse período?  

O ambiente digital t√™m dois grandes pap√©is durante a pandemia: ajudar as crian√ßas a cultivar la√ßos afetivos e mant√™-las aprendendo. As rela√ß√Ķes s√£o fundamentais para o desenvolvimento saud√°vel das crian√ßas. E a tecnologia pode e deve ajud√°-las a ligarem-se aos amigos e √† fam√≠lia. Tamb√©m a colaborarem entre si, a brincarem e a partilharem hist√≥rias e experi√™ncias.

O fechamento de escolas interrompeu a educa√ß√£o de meninas e meninos enquanto educadores e gestores se deparam com desafios relacionados ao papel da escola. Para al√©m da educa√ß√£o √† dist√Ęncia, a tecnologia pode manter os estudantes engajados na experi√™ncia de aprender em casa. Ao mesmo tempo, os manter conectados √† professores e colegas, trocando sobre o que os re√ļne: o conhecimento, a conviv√™ncia, o trabalho de aprender e ensinar.

Importante refletir também sobre como evitar que o acesso desigual a plataformas digitais e internet adequada amplie as desigualdades existentes. 

Veja mais sobre como a tecnologia pode ajudar neste vídeo.

Tempo de tela¬†x qualidade do conte√ļdo

> Tempo de tela x qualidade do conte√ļdo. O que importa mais?

A chave para este dilema é compreender que nem todo o tempo de tela é igual. Não devemos agir como se uma hora de desenhos animados fosse a mesma que uma hora de conversas online com familiares. Ou mesmo equivalente a jogos com amigos, ou de pesquisas e estudos. O que uma criança tira de cada tipo de uso é totalmente diferente, e atende diferentes necessidades.

As atividades com tela n√£o devem ser classificadas como se fossem da mesma natureza. Algumas s√£o educativas, outras s√£o divers√£o. Algumas s√£o de intera√ß√£o e comunica√ß√£o, algumas de alta qualidade e outras s√£o superficiais e mais passivas. Onde, como e o que se faz nas telas √© mais importante do que apenas medir o tempo gasto. Um bom conte√ļdo adequado √† idade √© fundamental!

O maior tempo de telas das crian√ßas tamb√©m pode ser mais uma oportunidade para estar juntos. √Č um caminho para fortalecer os la√ßos, aprender uns com os outros e partilhar valores. Converse com elas sobre os seus jogos, filmes, desenhos e aplicativos favoritos. Discuta ideias e quest√Ķes sobre as quais l√™em ou aprendem atrav√©s de plataforma. Ou ainda de um jogo e como evitar e se proteger das experi√™ncias negativas.¬†

Pesquisas mostram que famílias que fazem da tecnologia uma experiência compartilhada entre crianças e adultos formam jovens mais capazes de usufruir o que há de melhor no ambiente digital. Além disso, de lidar com as ameaças que encontrarão no caminho.

Veja mais sobre tempo de tela e qualidade de conte√ļdo neste v√≠deo.

Experiências digitais

> Como equilibrar experiências digitais com outras atividades que não acontecem nas  telas?

O equil√≠brio digital √© importante, mesmo durante a quarentena. A OMS estabelece como diretriz que as experi√™ncias digitais n√£o podem competir com nenhuma atividade essencial da inf√Ęncia. Ou seja, alimenta√ß√£o, sono, movimento e intera√ß√£o humana.

Devemos nos atentar para garantir a vivência das atividades essenciais em equilíbrio com a experiência digital. A ideia é planejar este equilíbrio ao longo do dia e das semanas. Desse modo, encontre tempo para as crianças ficarem fora das telas, interagirem com as pessoas próximas e brincarem. Elas precisam estar com o corpo e imaginação ativos, comer e dormir bem.

Lembre-se que as crianças precisam de você para estabelecer uma rotina equilibrada e gradualmente desenvolverem a capacidade de se auto-regular no ambiente digital. Nesse sentido, conversar sobre como se sentem após longos períodos nas telas é fundamental. Quanto mais as crianças prestarem atenção a como se sentem, física e emocionalmente, mais serão capazes de avançarem nos processos de autonomia.

Veja mais sobre experiência digitais neste vídeo

Responsabilidade no ambiente digital

> De quem é a responsabilidade pelas experiências das crianças no ambiente digital?

Os desafios √† participa√ß√£o √©tica, saud√°vel e segura de crian√ßas e adolescentes no ambiente digital est√£o ligados ao modelo de neg√≥cios em que se baseiam as plataformas, m√≠dia e servi√ßos de comunica√ß√£o digital. Esse modelo √© o da explora√ß√£o comercial da experi√™ncia e do sequestro da aten√ß√£o a qualquer custo. Ou seja, muitas empresas operam com design persuasivo e coletam e vendem dados dos usu√°rios. Monetizam suas informa√ß√Ķes com o objetivo de maximizar os lucros obtidos com publicidade e outros servi√ßos.

Com rela√ß√£o √†s crian√ßas, isso gera viola√ß√Ķes dos direitos e danos associados como superexposi√ß√£o, fornecimento de dados sem conhecimento, sujei√ß√£o a diferentes viol√™ncias e √† publicidade infantil. Al√©m disso, incentivo precoce √† sexualidade e ao hiperconsumo, dist√ļrbios do sono e alimenta√ß√£o, sedentarismo, falta de aten√ß√£o, problemas posturais, ansiedade, etc. Como resultado pode levar a impactos na sa√ļde e bem-estar da crian√ßa e empobrecimento de sua experi√™ncia online. Desse modo, as empresas precisam repensar seu modelo de neg√≥cio respeitando os direitos das crian√ßas garantidos pela legisla√ß√£o vigente.¬†

Ao Estado cabe regular as atividades que impactam as necessidades especiais e espec√≠ficas das crian√ßas e adolescentes. Por exemplo, a garantia do artigo 227 da Constitui√ß√£o Federal e a aplica√ß√£o da Lei Geral de Prote√ß√£o de Dados (Lei 13.709/2018). Al√©m disso, o Estatuto da Crian√ßa e do Adolescente e o C√≥digo de Defesa do Consumidor. E tamb√©m elaborar pol√≠ticas p√ļblicas de inclus√£o que proporcionem a todas as crian√ßas e adolescentes acesso e uso das tecnologias com qualidade.¬†

Por fim, famílias e escolas devem saber que não cabe exclusivamente a elas a responsabilidade pelas experiências das crianças no ambiente digital. 

Veja mais sobre responsabilidade no ambiente digital neste vídeo

Para saber mais, acesse nossa playlist com os depoimentos dos nossos especialistas.

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