Author: safira

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Paisagem com a região do Jardim Pantanal visto de cima. Na imagem há várias casas e ao fundo há o céu azul.

O Instituto Alana atua há 26 anos no Jardim Pantanal – região vulnerável situada no extremo leste de São Paulo – por meio do programa Espaço Alana, que tem a missão de fomentar o desenvolvimento local.

Com o intuito de organizar as demandas e criar estratégias para reivindicar, junto com os moradores, a implementação de políticas públicas que beneficiem toda a comunidade, desenvolveu em 2019 alguns estudos sobre o território. Foram analisados dados sobre habitação, concentração de empregos, vulnerabilidade social, mobilidade, renda e oferta de equipamentos públicos de saúde, educação e cultura.

As informações obtidas com os estudos sobre o Jardim Pantanal resultaram na elaboração de um diagnóstico jurídico e outro socioeconômico e físico-territorial  do bairro – que evidenciam os altos índices de vulnerabilidade e a latente necessidade de apoio do poder público. 

>Acesse o diagnóstico jurídico completo: http://bit.ly/diagnostico_jurídico

>Acesse o diagnóstico socioeconômico e físico-territorial completo: http://bit.ly/socioeconomico_territorial

Mais do que identificar as complexidades e os desafios do território, o Instituto Alana busca o diálogo com diferentes atores, como moradores, instituições da sociedade civil e órgãos públicos, para que juntos contribuam para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar socioambiental da comunidade, operando na garantia de direitos – sobretudo do direito à cidade.

Foto: Márcia Duarte

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Composição gráfica com fundo vermelho. No centro da imagem está escrito em branco: Infância plastificada. Do lado esquerdo do texto há duas setas azuis formando um círculo. Dentro dele há a ilustração em branco de uma televisão, um brinquedo de lego, uma caixa e um carrinho de compras.

Foi com o intuito de investigar a relação entre a publicidade infantil realizada pela indústria de brinquedos de plástico e os impactos do consumo desses produtos na saúde das crianças e no meio ambiente, que o programa Criança e Consumo, do Instituto Alana, encomendou a pesquisa pioneira no mundo “Infância Plastificada O impacto da publicidade infantil de brinquedos plásticos na saúde de crianças e no ambiente”

Conduzida pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Química Verde, Sustentabilidade e Educação (GPQV), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a pesquisa revela que 90% dos brinquedos de todo o mundo são feitos a partir de algum tipo de material plástico e que muitos deles contêm substâncias tóxicas em sua composição com potenciais causadores de cânceres e problemas hormonais em crianças.

“Quando a gente entra no quarto de uma criança pode acontecer de ter aquela famosa caixa de brinquedos. Ao abri-la você consegue sentir o odor dos voláteis e inala diversos componentes. Às vezes até o quarto das crianças tem esse cheiro muito forte”, explica a coordenadora da pesquisa, Dra. Vânia Zuin, na conversa de lançamento da publicação, organizada pelo Criança e Consumo, durante a Semana Sem Plástico. 

Acesse a conversa na íntegra aqui

Estima-se que, no Brasil, entre 2018 e 2030 sejam produzidos 1,38 milhão de toneladas de brinquedos de plástico, apenas no mercado formal. Muitos deles são compostos não somente por plástico, como também por pigmentos, brilho, glitter, entre outros. Isso torna o processo de separação de materiais para reciclagem ainda mais complexo, caro e inviável, reservando ao produto o destino de permanecer no meio ambiente por séculos. 

“Metade de todo o plástico produzido na história da humanidade foi feito nos últimos 15 anos. Então, o problema da descartabilidade do plástico é muito recente. Quando a gente olha para a questão do consumismo, principalmente na infância, é importante pensar quais são os valores e hábitos que estamos passando para as crianças ao viver em torno deste plástico e da descartabilidade não só de materiais, como também da vida, quando contaminamos outras seres humanos, animais marinhos e o meio ambiente como um todo”, alerta JP Amaral, mobilizador do Criança e Consumo, também durante o lançamento da pesquisa “Infância Plastificada”. 

A indústria de brinquedos tem alimentado esta cultura de consumo e descarte desenfreado de plástico por meio de estratégias de marketing direcionadas às crianças. No Brasil, a publicidade infantil é considerada ilegal e abusiva, ainda assim, o setor de brinquedos é campeão de anúncios dirigidos a este público, principalmente em plataformas digitais e canais infantis da TV a cabo.

O estudo ainda ressalta soluções possíveis a fim de propor caminhos que contribuam para proteger as crianças e o meio ambiente. Entre elas estão a efetiva proibição da publicidade infantil, o desenho de novos brinquedos verdes e sustentáveis, o estímulo à economia circular, o brincar livre na natureza e o incentivo à troca de brinquedos.

Acesse a pesquisa completa aqui

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Ilustrações com várias formas geométricas nas cores vermelho, azul e laranja, com a aparência de papel picado. No centro da imagem está escrito em branco Semana Mundial do Brincar, 25 a 29 de maio de 2020.

Brincar é vínculo. É a linguagem com que a criança se conecta com o mundo a sua volta, com sua família e amigos. Atualmente, neste período de isolamento social, territórios de encontro das crianças e de criação de brincadeiras como escolas, praças, parques e ruas, precisam ser evitados em virtude do combate à Covid-19.

Neste momento de tantas mudanças e incertezas, pode parecer um grande desafio para as famílias proporcionar um espaço potente de brincadeiras durante a quarentena. No entanto, como explica a pedagoga e mestre em educação Clélia Rosa, durante evento organizado pelo Espaço Alana na Semana Mundial do Brincar, “o brincar em casa, brincar em família, está muito relacionado à disponibilidade afetiva e ao tempo do adulto. Criar um espaço potente para a brincadeira está longe de ser um espaço luxuoso, com brinquedos de última geração. A infância dos dias pode ser a infância das coisas simples, a infância da vida real”.

O brincar livre pode brotar de simples objetos do cotidiano, como potes e panelas, assim como de vivências rotineiras como cozinhar ou arrumar a cama. Não precisa ser uma atividade “pedagógica”, nem direcionada pelos adultos. Basta Deixar as crianças guiarem a brincadeira. Elas estão prontas para nos ensinar a percorrer os caminhos imaginativos da infância e de encantamento com a vida.

É necessário também que este espaço que propicia o brincar da criança seja tanto externo, quanto interno. Há momentos em que os adultos estão inundados com outras preocupações e urgências. No cenário atual em que vivemos, por exemplo, muitas famílias viram seus planos e perspectivas se desmancharem ou até mesmo enfrentam a escassez de recursos básicos, não restando às vezes lugar dentre as dores e aflições para cultivar vivências de brincadeira com as crianças. Por isso é preciso se acolher, se permitir ser falível, para então cuidar do outro.

“Nós estamos vivendo um momento emocionalmente muito complicado e, se a gente não acolhe os desdobramentos dessas emoções, esse sentimento pode virar raiva, irritação com o mundo. Então, para que eu tenha esse espaço interno para dar ao meu filho eu preciso me permitir olhar para as minhas emoções. A minha vulnerabilidade não é sinônimo de fraqueza, é sinônimo de humanidade”, conta a psicanalista, escritora e educadora parental Elisama Santos, também na live organizada pelo Espaço Alana.

Estas e outras reflexões foram discutidas durante o bate-papo realizado na página do Espaço Alana no Facebook, com a mediação da Coordenadora de Educação do Instituto Alana Raquel Franzim, como parte da programação da 11ª edição da Semana Mundial do Brincar. A Semana é uma iniciativa da Aliança pela Infância e este ano foi realizada inteiramente online, entre os dias 25 e 29 de maio, em parceria com diversas organizações. O tema desta edição foi o “Brincar entre o céu e a terra”, para chamar a atenção para a importância do brincar e do cultivo da imaginação na infância.

Brincar não é um privilégio, mas um direito da criança. Famílias não devem ser as únicas responsáveis pela garantia da vivência plena da infância. A sociedade como um todo deve agir para apoiá-las. Com este intuito, o Instituto Alana segue promovendo diálogos, criando espaços de troca e de construção de um presente e futuro melhor para as crianças.

Para conferir a playlist completa das atividades realizadas pelo Espaço Alana na Semana Mundial do Brincar 2020 clique aqui.

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