Author: laura

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Em meio ao sentimento de incerteza e insegurança em relação ao futuro, o Portal Lunetas, iniciativa do Instituto Alana, fez um convite para ouvir as crianças. Como elas estão se sentindo nesta quarentena? O que estão gostando ou não no isolamento domiciliar? Quais são seus sonhos e desejos para o futuro? O resultado dessas expectativas se tornou um vídeo colorido, divertido e cheio de esperança, narrado pelas próprias crianças, que pode ser visto aqui.

Entre os depoimentos das crianças, estão desejos inesperados como uma que promete nunca mais ter medo de ir à escola quando a quarentena passar, outra que está gostando da possibilidade de ter tempo “para ter tempo”, a menina que está entediada de ficar em casa porque não pode estar com quem ela ama, e aquela que não vê a hora de ir para a rua e abraçar todo mundo.

O vídeo faz parte do especial “Coronavírus: o mundo em suspensão”, uma série de conteúdos que traz percepções sobre pandemia e infância. São vídeos, reportagens, entrevistas, análises e opiniões para refletir sobre este momento e pensar que futuro construir para as próximas gerações. Os conteúdos trazem reflexões sobre o papel da escola neste período de distanciamento social, recomendações para falar com as crianças em relação ao que está acontecendo com o mundo, discussões sobre como a pandemia afeta famílias de diferentes classes sociais Brasil afora e a importância de escutar e observar as crianças – seus comportamentos e brincadeiras – para saber como estão vivenciando, física e emocionalmente, esta quarentena.

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Pessoas distribuem em uma rua de terra cestas básicas para os moradores.

Valor se soma ao orçamento da instituição, de R$ 21 milhões em 2020, e será integralmente destinado a minimizar os efeitos da pandemia para a população mais vulnerável, incluindo as crianças 

Entre os mês de abril e maio o Instituto Alana distribuiu 16.400 cestas básicas com itens de alimentação, higiene e limpeza para famílias do Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo. Ao todo foram 14.000 entregues de porta em porta e 2.400 por meio de organizações locais e associações parceiras. Além disso, participamos de um projeto piloto para viabilizar a transferência de renda diretamente para as famílias mais vulneráveis.

A iniciativa faz parte dos esforços do Instituto Alana para apoiar a população vulnerável que vive na região atendida pelo Espaço AlanaA ação inclui também a produção de conteúdo informativo em áudio, texto e imagem para apoiar a população local a entender como se prevenir contra o coronavírus, explicar as manifestações da doença e a hora de buscar apoio médico. Além disso, traz informações de como ter acesso a Renda Básica Emergencial, aos benefícios sociais da Prefeitura e do Estado de São Paulo, entrar em contato com o SUS, entre outros.

A distribuição das cestas de porta em porta – uma medida emergencial para evitar que as famílias passassem fome – contou com o apoio de 20 pessoas, entre colaboradores do Instituto Alana e voluntários. Cada família recebeu uma cesta composta por 20 kg de alimentos e 10 kg de produtos de higiene e limpeza. 

Para garantir que a entrega fosse feita respeitando os protocolos exigidos de segurança, os envolvidos na ação receberam orientações de um profissional da área da saúde e utilizaram equipamentos de proteção. A iniciativa recebeu o apoio da Associação de Moradores do Jardim Pantanal, da equipe Trupe do Bem e da Subprefeitura de São Miguel Paulista. 

O Instituto Alana atua há 25 anos no território e segue atento às necessidades do local para que outras soluções emergenciais possam ser viabilizadas, sem descuidar das articulações necessárias para que os problemas estruturantes que castigam a região possam ser resolvidos e para que as famílias tenham melhores condições de enfrentar crises como essa. 

*Foto: Reginaldo Pereira da Associação de Moradores do Jardim Pantanal

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É com extrema indignação que nós do Instituto Alana recebemos as alterações no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) determinadas no Decreto 10.003 de 2019. Há quase três décadas, o Conanda é o grande guardião dos direitos de crianças e adolescentes, não só acompanhando e cobrando a execução de políticas públicas e orçamentárias, mas apresentando importantes resoluções e gerindo o Fundo Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Em linhas gerais, o decreto altera profundamente o funcionamento do Conselho e suas características democráticas, estabelecendo reuniões trimestrais por videoconferência em vez de mensais presenciais, processos seletivos no lugar de eleições, e presidência indicada em vez de eleita, com direito a voto extra em caso de empate em deliberações.

Não há espaço para inconsequência quando o assunto é infância e adolescência: as demandas são muitas, urgentes e detêm complexidade especial. Não podem, portanto, ser relegadas a encontros virtuais pró-forma a cada trimestre. A participação social diversa e democrática é fundamental de qualquer governo que deseje, de fato, guiar o país e, neste caso específico, suas crianças e adolescentes, pelo bom e estreito caminho da responsabilidade e proteção social. Decisões monocráticas que destituam organizações eleitas de seus mandatos ecoam um autoritarismo que não combina com o país que escolheu um novo caminho em 1988.

A escolha da Presidência da República de enfraquecer o Conanda indica um movimento em direta afronta à infância e adolescência brasileiras, em completo desacordo com nossa Constituição Federal e com a escolha que fizemos como sociedade, expressa no artigo 227, de colocar crianças e adolescentes como prioridade absoluta da nação e, portanto, na contramão da participação social, elemento fundamental para a construção de um país democrático e transparente.

Foto: Fotos públicas/ Mayke Toscano

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