Author: heloisa

O fundo é desfocado, com pequenos focos de luz que dão impressão de uma cidade. O perfil da boca de uma pessoa aparece ao lado direito da imagem, e ao lado esquerdo esta escrito " Forget me not (Não me esqueça) de Olivier Barnier- Rota6 Films".

No dia 21 de setembro foi anunciado o projeto selecionado no Edital Videocamp de Filmes – Edição 2018. O projeto “Forget Me Not” (“Não Me Esqueça”), do cineasta americano Olivier Bernier, foi o escolhida pelo edital – que este ano tinha como tema “Educação Inclusiva”. O filme questiona, a partir da experiência pessoal do diretor– que descobriu, no momento do parto, que seu filho tinha síndrome de Down –, os desafios enfrentados por crianças com deficiência no contexto da educação pública.

“Como diretor, esta não é uma história que estarei contando – é uma história que estou vivendo. Quando eu era criança, eu não frequentei uma escola inclusiva. Eu nunca convivi com uma pessoa com deficiência intelectual e eu não estava preparado para a chegada do meu filho. Eu quero usar essa oportunidade para garantir que isso nunca aconteça com alguém novamente,” diz Olivier Bernier.

“A proposta do Olivier dialoga, diretamente, com os valores do Videocamp. Acreditamos que ele fará um filme importante para inspirar a mudança, com potencial de transformar o olhar dos legisladores e do público para a educação inclusiva”, avalia Carolina Pasquali, diretora do Videocamp.

O projeto da produtora Rota6 Films, baseada em Nova Iorque, Estados Unidos, receberá US$ 400 mil para a produção do filme. A ideia é promover uma desconstrução de barreiras, sejam elas atitudinais, pedagógicas, arquitetônicas ou de comunicação, sobre o assunto.

O edital é uma iniciativa do Videocamp, plataforma online e gratuita do Alana que trabalha na promoção de filmes de impacto, ajudando-os a atingir um público ainda maior. Para saber mais acesse o link.

crianças pulando em uma floresta

Ana Lucia Villela, cofundadora e presidente do Instituto Alana, é a 44ª membro, a 4ª mulher e a primeira a representar a América Latina e o Brasil no conselho de inovação da Fundação XPrize, ao lado de outros filantropos preocupados em buscar soluções para problemas globais relacionados a educação, saúde e meio ambiente.

Idealizada por Peter Diamandis, cofundador da Singularity University, a XPrize, organiza e gerencia competições para o desenvolvimento de tecnologias que apresentem resoluções para os principais desafios da humanidade. Entre eles, garantir educação de qualidade para crianças e adultos, o fornecimento de água potável e alimento para a população mundial.

Ana Lucia levará ao conselho um olhar sobre as questões da América Latina e terá a missão de aproximar os brasileiros das competições internacionais. Além dos temas relevantes relacionados à infância, e pautados pelo Alana, a forma como eles são colocados ao mundo, de maneira criativa e com alto impacto social, levou Ana ao conselho do XPrize.

“Nós inspiramos, conectamos, engajamos e comunicamos. E atingimos 100 milhões de pessoas com nossos filmes, 100 países, mudamos políticas públicas. É o tipo de coisa que a gente adora fazer aqui”, contou Ana Lucia em entrevista ao jornal Valor Econômico. No começo desse ano, Ana também entrou para o Conselho de Administração do Banco Itaú, do qual é acionista.

O Alana nasce no Jardim Pantanal, zona leste de São Paulo, em 1994 com atendimento direto aos moradores da comunidade. Ampliou sua atuação com um trabalho forte de advocacy e de comunicação, pautando na sociedade brasileira temas relevantes e urgentes relacionados aos direitos das crianças, como o consumismo infantil, a necessidade de uma educação transformadora e de jovens engajados em mudar suas realidades, a importância do brincar livre e do contato com a natureza.

Se soma a essa trajetória, a produção de conteúdos da Maria Farinha Filmes, que vem levando os temas do Alana no formato audiovisual para os quatro cantos do Brasil e do mundo. Com a plataforma Videocamp, que disponibiliza esses e tantos outros filmes para exibições públicas, as produções alcançam voos mais altos e os temas conquistam cada vez mais corações e mentes, provocando mudanças reais na garantia de condições para a vivência plena da infância.

Foto: Unsplash

Convidados e palestrantes do evento, sentado em frente a platéia.

O ser humano inventa o tempo todo. E quando é criança o “todo” se torna ainda mais possível. Mistura duas cores esperando que uma terceira seja criada; pensa em várias formas de brincar; sonha em ser diferentes profissões, e em salvar o mundo com elas. Por meio da criatividade, o ser humano inventa soluções para os maiores desafios da humanidade e contribui para uma sociedade reinventada.

Para discutir a importância da criatividade nos dias de hoje, o programa Escolas Transformadoras, correalizado pela Ashoka e pelo Instituto Alana, organizou no dia 20 de agosto o encontro “Criatividade – outros mundos são possíveis”. Mediado por Diane Sousa, empreendedora social reconhecida pela Ashoka em 2018, a conversa contou com participação de Viviane Mosé, mestra e doutora em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e do educador social Alemberg Quindins, idealizador da Fundação Casa Grande.

Na abertura das falas, Diane relembrou sua avó que é do interior do Maranhão. “Um dos elementos edificantes para que a gente tenha uma ideia criativa é o pensamento livre. Minha vó tinha o pensamento livre, mas não tinha o corpo livre e nem o tempo livre. Eu tenho o corpo livre, o tempo livre e o pensamento livre. Essa é uma conquista que aconteceu por uma racionalidade de resistência da minha vó e que me permitiu estar aqui hoje”, contou.

Para Viviane Mosé, a criatividade está relacionada a sobrevivência do ser humano. “A gente costuma falar de criatividade como um adereço. Mas a verdade é que a criatividade é o que caracteriza o humano. Nós não existimos sem criatividade”. “A ideia criativa pode não ser um resultado imediato, mas se você consegue tirar as crianças de um sistema de opressão, potencializa a ideia de transformação. Ter uma escola que potencializa o pensar criativo, é o primeiro passo que a gente dá, para poder ter uma escola transformadora”.

Alemberg trouxe a experiência do seu trabalho, para reforçar a ideia de que a criatividade é um atributo da infância. “Não há criatividade sem um mergulho na fonte da pureza da vida. O adulto é um traidor da infância, por que ele se esquece disso. O brincar é a forma como a criança namora com a criatividade”. Com a intenção de incentivar a autonomia, o protagonismo e a liberdade, Alemberg criou a Fundação Casa Grande, localizada em Nova Olinda, no Ceará. O local é gerido pelos jovens que o frequentam. “O principal objetivo da fundação é que os jovens tenham as condições e as oportunidades de contar a história deles por eles mesmos”, explicou.

O encontro mesclou saberes, vivências e reforçou a ideia de que “uma sociedade que não pensa em soluções para seus problemas de maneira criativa, é uma sociedade sem vida”.

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