Author: amanda

Foto mostra várias crianças em sala de aula com a mão levantada

Conversamos com a professora Maria de Lourdes Ramos sobre a pot√™ncia do protagonismo de crian√ßas e adolescentes, a import√Ęncia do apoio da comunidade escolar e desafios durante a pandemia

 

√Č que eu sou da gera√ß√£o que n√£o aceita:

n√£o pode, n√£o vale, n√£o tem como, n√£o d√°

Eu sou da geração de acreditar

Então, faz um favor: 

deixa a menina guiar

deixa o menino estudar, 

deixa o menino sonhar, 

deixa a menina criar

√Č que eu sou do Brasil

J√° ouviu falar?

 

Lucas Penteado

 

Empresto as palavras do poeta para falar sobre crianças e adolescentes que não hesitam em colocar a mão na massa e empenhar energia e esforços para transformar suas realidades, comunidades e o mundo em um lugar melhor para todos. E é claro que nós, famílias, sociedade e Estado, devemos pavimentar esse caminho, potencializando esse protagonismo e garantindo que suas vozes sejam ouvidas e amplificadas.

Foto mostra professora Lourdes Ramos sorrindo usando um vestido preto com estampas azuis

Professora Maria de Lourdes Ramos. Foto: arquivo pessoal

E a comunidade escolar tamb√©m tem um papel fundamental nessa empreitada de garantir o protagonismo de crian√ßas e adolescentes. Como aponta Maria de Lourdes Ramos, professora no Col√©gio Estadual Deputado Lu√≠s Eduardo Magalh√£es, em Alagoinhas (BA): ‚Äúquando existe di√°logo entre escola e comunidade, ela se torna mais forte, uma refer√™ncia para a comunidade e o estudante tamb√©m se torna mais forte, aut√īnomo, livre, criativo e inovador‚ÄĚ.

A professora Lourdes criou com seus alunos, em 2016, o projeto ‚ÄúDa Escola para o Mundo‚ÄĚ, premiado no Desafio Criativos da Escola em 2017, voltado a construir a√ß√Ķes para a valoriza√ß√£o da autoestima dos estudantes e da comunidade por meio de encontros com oficinas de orienta√ß√£o profissional, artesanato, violino, teatro e dan√ßa.

Ao Alana, falou sobre a pot√™ncia do protagonismo de crian√ßas e adolescentes para transformar realidades e problemas sociais, a import√Ęncia do apoio da comunidade escolar, desafios durante a pandemia e tamb√©m contou mais sobre os bastidores do projeto ‚ÄúDa Escola para o Mundo‚ÄĚ. Confira:

 

Você pode falar um pouco sobre a potência do protagonismo de crianças e adolescentes para transformar realidades, problemas sociais e gerar mudanças?

Maria de Lourdes Ramos: Eu acredito muito na for√ßa do jovem e vejo o quanto aprendem r√°pido e facilmente. Eles enxergam al√©m do que enxergamos e, de uma forma mais simples, encontram as respostas que levar√≠amos um tempo para encontrar. N√£o v√£o buscar onde est√° a pol√≠tica, a quest√£o econ√īmica, mas v√£o na raiz do problema. Eu vejo o quanto esses jovens e adolescentes conseguem, dentro das suas realidades, encontrar respostas e perceber, do modo deles, todo esse contexto em que est√£o inseridos.

Conseguem enxergar o Brasil com essa enorme desigualdade social, entender porque eles s√£o da periferia e est√£o na periferia e quais s√£o as dificuldades que v√£o encontrar para se autoafirmarem diante desse contexto de desigualdade. Essas crian√ßas e adolescentes aprendem a resolver, a amar, a tomar decis√Ķes e nos cabe, como adultos ou institui√ß√Ķes, mostrar para eles essas possibilidades.¬†

 

Qual a import√Ęncia da comunidade escolar para garantir esse protagonismo?

M.L.R: Eu vou falar um pouco da minha formação como educadora. Desde os 18 anos eu já tinha certeza que eu queria ser professora.

E eu acredito que quando existe di√°logo entre escola e comunidade, ela se torna mais forte, uma refer√™ncia para a comunidade e o estudante tamb√©m se torna mais forte, aut√īnomo, livre, criativo e inovador.

Porque a escola permite que os estudantes levem suas realidades para l√° e consigam encaminhar solu√ß√Ķes e estrat√©gias para lidar com todos os seus contextos. Ent√£o eu percebo como essa escola pode e deve exercer esse papel social de se aproximar das fam√≠lias, de orientar. Sua fun√ß√£o n√£o √© reproduzir conte√ļdos distantes da realidade do estudante – por exemplo, vamos ter uma aula de hist√≥ria, vamos falar da Europa, mas n√£o do Brasil; vamos falar do Sul e n√£o falamos do Nordeste. Ent√£o eu tive uma pr√°tica com os alunos, quando eles j√° estavam no ensino m√©dio, eram da educa√ß√£o profissional, e disse ‚Äúquais s√£o as oportunidades que a gente tem de emprego aqui na Bahia?‚ÄĚ e eles diziam que aqui n√£o tinha muita coisa, que tinha mais coisa em S√£o Paulo, que iam melhorar de vida se fossem para l√°. E eu falei ‚Äúvamos estudar um pouco? aceitam o desafio?‚ÄĚ. E eles ficaram surpresos com o que descobriram sobre a Bahia, muitos n√£o sabiam que a Bahia tem 417 munic√≠pios e como esses munic√≠pios t√™m possibilidades e oportunidades para jovens, tanto de emprego como de acesso √† educa√ß√£o. E a√≠ partimos do lugar deles, de Alagoinhas, a 108 km de Salvador.

Eu vejo o quanto é importante para esses meninos terem uma escola que possibilite eles se enxergarem no contexto, construírem as suas histórias e gostarem mais do lugar onde eles estão.

Essa quest√£o da autoestima d√° for√ßa para eles decretarem ‚Äúeu sou capaz‚ÄĚ, eu posso, eu chego l√° e eu vou mudar a minha realidade e da minha comunidade a partir do contexto da escola‚ÄĚ. Eu acredito nessa escola libert√°ria, democr√°tica, que dialoga constantemente com comunidades, que traz a realidade para dentro e que trabalha seus conte√ļdos a partir desse olhar.

 

Como voc√™ apontou, o papel da escola vai muito al√©m de s√≥ reproduzir conte√ļdos. Especialmente para crian√ßas e adolescentes, tem um papel de rede apoio e de¬† prote√ß√£o contra diversos tipos de viola√ß√Ķes, al√©m da import√Ęncia das escolas, especialmente as da rede p√ļblica, no acesso √† educa√ß√£o. Como esses pap√©is que a escola desempenha ficaram durante a pandemia de coronavirus?

M.L.R: Falando de uma forma geral, sentimos diversas dificuldades no Brasil e, especialmente aqui na Bahia, para trabalhar nesse per√≠odo de crise humanit√°ria, que √© tamb√©m uma crise pol√≠tica e crise econ√īmica. Oficialmente, pelo governo do estado da Bahia, os 417 munic√≠pios n√£o tiveram aula, ent√£o n√£o havia contato entre professores e estudantes e isso me inquietou demais. As aulas foram suspensas em maio e, em abril, eu comecei a assistir muitas lives, e uma dessas foi de um grupo de S√£o Paulo que tinha conseguido desenvolver o chamado WhatsApp inteligente, que tinha um rob√ī que fazia chamada, resumos das aulas. Eu liguei para essas pessoas, pedi apoio e informa√ß√£o, chamei alguns colegas e consegui 10 professores que toparam dar aulas para esses meninos. Fizemos um planejamento, aqui em Alagoinhas, e alguns outros professores daqui tamb√©m tomaram iniciativas isoladas e n√£o foram reconhecidos pelo governo no Estado.

Foi a maior sacada essa iniciativa porque os estudantes também estavam com tantos medos e incertezas quanto nós diante dessa crise que pegou em cheio muito mais essas camadas desfavorecidas, quem vive em periferias, quem não tem emprego certo, quem vivia de bicos.

Essas pessoas foram atingidas de uma forma mais profunda e a maioria delas eram nossos estudantes ou os pais deles. Trabalhamos assim de abril at√© novembro sem nenhuma autoriza√ß√£o do governo. O Estado poderia ter investido na TV aberta, montado um grupo de professores de fazer blocos tem√°ticos de conte√ļdos, que ajudaria os estudantes a passar por esse momento dif√≠cil.

Porque a escola também é um lugar de proteção contra todos os tipos de violência, e a violência urbana aqui é muito forte, e acho que em todos os lugares do Brasil.

Agora, em 2021, o estado da Bahia criou as aulas remotas e a√≠ veio outro problema: aulas remotas sem uma estrutura para os professores, sem o aluno ter um celular que pudesse abrir um documento, casas que n√£o tinham o que comer. Diante de todas as dificuldades, do medo do cont√°gio, de como fazer com que as atividades impressas chegassem, n√≥s trabalhamos como nunca para preparar atividades online e ainda tivemos que aprender muito. Quando se fala da comunica√ß√£o e da informa√ß√£o no Brasil, √© not√≥ria a dist√Ęncia que existe entre o que se propaga e a realidade. A gente encontra professores que sequer sabiam usar o seu celular, quanto mais utilizar algum outro aplicativo ou plataforma. Outra quest√£o √© que √© preciso ter internet: cad√™ a internet livre para os estudantes? Por que eles n√£o propuseram e n√£o investiram recursos para internet livre?¬†

 

√Č poss√≠vel incentivar e efetivar o protagonismo de crian√ßas e adolescentes diante desse contexto e durante a crise sanit√°ria provocada pelo coronav√≠rus?

M.L.R: Sim, a√≠ √© que vem a quest√£o de como uma escola vai redirecionar sua pr√°tica educativa. Nessa em que eu ainda atuo, temos conversado muito sobre as possibilidades de ‚Äúdi√°logos‚ÄĚ entre os componentes curriculares. Esse ‚Äúdi√°logo‚ÄĚ significa trazer para os estudantes aquilo que √© de seu interesse. Muitas vezes a escola se torna ‚Äúchata‚ÄĚ porque trabalha coisas que parecem que n√£o tem muita rela√ß√£o com eles.

Se eu trago coisas que são da realidade deles, os estudantes começam a se movimentar.

Eu me lembro de uma atividade, isso eu fiz em um projeto experimental que eu leciono, com a turma de educa√ß√£o profissional, falando sobre os efeitos da pandemia e eles come√ßaram a falar sobre profissionais que n√£o pararam, falaram m√©dicos, enfermeiras e uma menina falou ‚ÄúGaris, professora. A minha m√£e √© gari‚ÄĚ. Ent√£o n√≥s fizemos uma exposi√ß√£o de forma online sobre isso. Quando o aluno d√° a ideia, ele se sente correspons√°vel por aquela cria√ß√£o e vai buscar solu√ß√Ķes. Ent√£o eles fizeram enquetes no Instagram, as pessoas responderam, teve uma m√£e gari que mandou um depoimento por √°udio. Tamb√©m tivemos um momento na escola, todo online, em que fizemos esse debate e os estudantes fizeram uma homenagem no dia do gari.

Eles construíram isso e nós percebemos que, mesmo de forma online, dá para fomentar o protagonismo a partir do momento que você traz desafios que tenham relação direta com a realidade desses estudantes.

Eles pensam r√°pido e cada um vai contribuindo e construindo uma teia de solu√ß√Ķes que muitas vezes para os √≥rg√£os p√ļblicos parece algo t√£o complexo.

 

E cai naquela problemática que para garantir o protagonismo desses estudantes durante a pandemia também é preciso garantir que eles tenham acesso à internet, né? 

M.L.R: Sim, com certeza.

 

Entre 2016 e 2017, junto dos seus alunos, voc√™ criou o projeto ‚ÄúDa Escola para o Mundo‚ÄĚ, voltado a construir a√ß√Ķes voltadas √† valoriza√ß√£o da autoestima dos jovens e da comunidade, que foi premiado pelo Criativos da Escola em 2017. Voc√™ pode falar um pouco mais sobre esse projeto?

M.L.R: Esse projeto, na verdade, nós desenvolvemos até 2019. Fomos premiados em 2017 e as meninas que saíram, que eram as idealizadoras do projeto e terminaram o ensino médio, passaram o projeto para outro grupo assumir. E esse grupo ficou até 2019 e só não continuamos por conta da pandemia.

O nome do projeto ‚ÄúDa Escola para o Mundo‚ÄĚ j√° diz a ideia: fazer com que os nossos estudantes tivessem autoestima, acreditassem no potencial deles e come√ßassem a visualizar possibilidades para suas vidas fora dos muros da escola.

Foto mostra v√°rios alunos reunidos em sala de aula

Estudantes participando do projeto “Da Escola para o Mundo

Tudo aconteceu em uma aula antes do dia do estudante, eles come√ßaram a pensar o que pod√≠amos fazer nessa data, queriam fazer alguma coisa pr√°tica. Decidiram fazer um question√°rio para ver o que os estudantes gostariam de ter na escola e tamb√©m colocaram algumas perguntas mais pessoais. Quando n√≥s fomos fazer a tabula√ß√£o dos dados, elas disseram ‚Äúprofessora, a maioria est√° apontando que n√£o t√™m caracter√≠sticas boas, que n√£o tem valor, parece que eles n√£o gostam muito deles mesmos‚ÄĚ e perguntaram o que poder√≠amos fazer com esse resultados. Ent√£o n√≥s come√ßamos a planejar um projeto que pudesse dar oportunidade a esses jovens de falar dos seus medos, seus anseios e buscar o que eles tivessem de melhor, produzir materiais em que eles pudessem ser protagonistas da sua pr√≥pria hist√≥ria. A√≠ criamos o projeto e come√ßamos a oferecer atividades na escola nos finais de semana. Conseguimos parcerias com a Secretaria de Assist√™ncia Social do munic√≠pio, assistentes sociais, terapeutas, m√ļsicos, e parcerias para lanches. Tamb√©m come√ßamos um trabalho de valoriza√ß√£o da autoestima, conversamos com alunos que n√£o gostavam dos cabelos crespos, n√£o gostavam de ser negros, que n√£o gostavam de ser do Barreiro – a escola est√° em um dos bairros violentos da cidade. Esse projeto trouxe uma outra cara para a escola, porque quando a comunidade a enxerga como uma parceira, um espa√ßo que est√° ali para ajudar o filho, eles participam de tudo o que √© oferecido. Fizemos muito movimento na rua.

 

Qual a import√Ęncia de projetos como o Criativos da Escola para incentivar o protagonismo dos estudantes na educa√ß√£o?

M.L.R:¬† Eu vejo que √© preciso que as escolas aprendam a trabalhar com esta pr√°tica do elogio. N√£o √© um elogio pelo elogio, mas pelo fazer, pela concretude de uma ideia e de um ideal. Esse elogio √© uma das coisas mais importantes que a escola pode fazer, para que os projetos saiam do papel e possibilita o protagonismo desses estudantes para mudar a hist√≥ria da vida deles e da comunidade. Quando um aluno faz um projeto para uma situa√ß√£o real, realmente est√° focando em um problema que quer encontrar uma solu√ß√£o. Por isso √© importante que as escolas invistam em projetos educativos, que possam trazer modifica√ß√Ķes da realidade. As premia√ß√Ķes d√£o para os estudantes a possibilidade de perceberem o quanto s√£o essenciais e est√£o ajudando a resolver coisas importantes para o mundo. N√£o foi ideia minha participar do Desafio Criativos da Escola, foi de uma das estudantes, elas s√£o muito antenadas em tudo e aprendem muito r√°pido.¬† Eu sou tiete do Criativos, vejo como ajudam esses meninos a pensar em suas pr√°ticas, a pensar suas realidades e a criarem solu√ß√Ķes. E isso tamb√©m possibilita que os estudantes mostrem seus talentos. Tem muito jovem talentoso e criativo nesse Brasil e que daria um banho na gente encontrando solu√ß√Ķes r√°pidas para problemas que est√£o se esticando a s√©culos nesse pa√≠s.

Nos cabe, enquanto educadores e institui√ß√Ķes, possibilitar que crian√ßas e adolescentes se sintam sempre correspons√°veis por tudo que est√° ao seu redor, no seu contexto, na sociedade. E como fazemos isso? Incentivando o protagonismo juvenil.

Colagem em preto e branco mostra duas meninas negras escrevendo em caderno. Ao lado, logo do No Chão da Escola: educação antirracista

Terceiro encontro da edi√ß√£o ‚ÄúNo ch√£o da escola: educa√ß√£o antirracista‚ÄĚ convidou especialistas para conversar sobre recriar a escola sob perspectivas afro-brasileiras

Como fortalecer a representatividade negra na constru√ß√£o de um curr√≠culo antirracista e como recriar as escolas sob perspectivas afrobrasileiras? Essas quest√Ķes pautaram o √ļltimo encontro da jornada formativa ‚ÄúNo Ch√£o da Escola: educa√ß√£o antirracista‚ÄĚ, que aconteceu no dia 29 de julho, apresentado por Raquel Franzim, Diretora de Educa√ß√£o e Cultura e Cultura da Inf√Ęncia do Instituto Alana.

O encontro contou com duas mesas. Participaram da primeira, ‚ÄúRepresentatividade e protagonismo negro no curr√≠culo‚ÄĚ: Carolina Adesewa, professora, escritora e idealizadora do Afroinf√Ęncia; e Gra√ßa Gon√ßalves, doutora em educa√ß√£o e pesquisadora em educa√ß√£o antirracista. A media√ß√£o foi feita por Suelaine Carneiro, coordenadora do programa de educa√ß√£o do Geled√©s – Instituto da Mulher Negra.

¬†Iniciando a conversa, Caroline apontou que existem diversas contribui√ß√Ķes que os povos africanos deixaram para n√≥s que as crian√ßas precisam ter acesso, e que a falta desse conhecimento dentro do curr√≠culo gera uma s√©rie de quest√Ķes e conflitos na subjetividade da crian√ßa. ‚ÄúAs crian√ßas negras crescem embalando bonecas brancas. Isso gera uma s√©rie de tens√Ķes porque a crian√ßa pensa ‚Äėse √© esta boneca que est√° nas prateleiras das lojas, no cantinho da brincadeira e nas propagandas, √© porque esse ideal est√©tico √© o padr√£o e o mais bonito‚ÄĚ, explicou.

Gra√ßa citou a import√Ęncia da¬† Lei 10.639, de 2003, que inclui a hist√≥ria e cultura afro-brasileira nos curr√≠culos escolares. ‚ÄúA lei fala do reconhecimento e igual valoriza√ß√£o das ra√≠zes africanas na na√ß√£o brasileira. O ensino dessas tem√°ticas implica na compreens√£o das diferentes formas de organiza√ß√£o, racioc√≠nio e express√£o das ra√≠zes africanas. Tamb√©m implica no di√°logo entre diferentes sistemas simb√≥licos, intera√ß√Ķes e interpreta√ß√Ķes entre estudantes, servidores, professores e integrantes da comunidade, respeitando valores, racioc√≠nios e vis√Ķes de mundo‚ÄĚ, apontou.

A segunda mesa, ‚ÄúRecriar a escola sob perspectivas afro-brasileiras‚ÄĚ, contou com a participa√ß√£o de Iara Viana, mestre e doutoranda em Estudos do Lazer, Cultura e Educa√ß√£o; e Luiz Rufino, p√≥s-doutor em rela√ß√Ķes √©tnico-raciais e doutor em educa√ß√£o. A media√ß√£o foi feita por Carlos Machado, professor, historiador e colunista da RA√áA Brasil.¬†

Para Luiz, a educa√ß√£o √© uma manifesta√ß√£o da vida e, no Brasil, n√£o h√° uma experi√™ncia equ√Ęnime para que a vida se expresse. ‚ÄúS√£o necess√°rias a√ß√Ķes afirmativas, de repara√ß√£o, em todos os √Ęmbitos, porque o mundo em que n√≥s estamos foi constitu√≠do na desigualdade. √Č fundamental a redistribui√ß√£o das oportunidades para que se possa experienciar a vida em sua plenitude‚ÄĚ, apontou.

Iara explicou que para a transforma√ß√£o da escola numa perspectiva afro-brasileira √© preciso colocar nas escolas e nos livros did√°ticos a discuss√£o contada pela popula√ß√£o negra. ‚ÄúQuando a gente diz que a educa√ß√£o √© transformadora, precisa ser em um formato estrat√©gico. Aumentar o n√ļmero de negros e negras que tenham a seguran√ßa de se declararem negros e negras √© um papel da escola. E a√≠ sim a escola estaria trabalhando em uma perspectiva afro-brasileira‚ÄĚ, disse.

 

Confira as edi√ß√Ķes anteriores do No Ch√£o da Escola, sobre educa√ß√£o no contexto da pandemia e sobre cinema e educa√ß√£o na promo√ß√£o de direitos humanos. Assista ao terceiro encontro da jornada formativa no ‚ÄúNo Ch√£o da Escola: educa√ß√£o antirracista‚ÄĚ aqui:¬†

Colagem em preto e branco mostra criança dançando. Ao lado, logo do No Chão da Escola: educação antirracista

Segundo encontro da edi√ß√£o ‚ÄúNo ch√£o da escola: educa√ß√£o antirracista‚ÄĚ convidou especialistas para conversar sobre educa√ß√£o para rela√ß√Ķes √©tnico-raciais e branquitude e racismo

No dia 28 de julho, aconteceu o segundo encontro do ‚ÄúNo Ch√£o da Escola: educa√ß√£o antirracista‚ÄĚ. A jornada formativa, apresentada por Raquel Franzim, Diretora de Educa√ß√£o e Cultura e Cultura da Inf√Ęncia do Instituto Alana, tem o objetivo de formar profissionais da educa√ß√£o, inspirar e subsidiar a comunidade escolar frente aos desafios na garantia do direito √† educa√ß√£o para todos e, nesta edi√ß√£o, aborda a educa√ß√£o antirracista.

Participaram da primeira mesa, a roda de conversa ‚ÄúEduca√ß√£o para rela√ß√Ķes √©tnico-raciais‚ÄĚ: Marta Avancini, jornalista e editora p√ļblica do Jeduca; Luana Tolentino, doutoranda em educa√ß√£o e colunista da Carta Capital; Raimundo Pereira, vice-presidente da seccional Undime/Bahia; e Angela Danneman, superintendente do Ita√ļ Social; e a entrevistada Petronilha Beatriz Gon√ßalves, relatora do parecer sobre educa√ß√£o das rela√ß√Ķes √©tnico-raciais. A media√ß√£o foi feita por Raquel de Paula, coordenadora do Portal Lunetas, do Instituto Alana.

Para Petronilha, a educa√ß√£o para as rela√ß√Ķes √©tnico-raciais enfrenta, h√° muitos s√©culos, desafios para valorizar igualmente a todos que fazem parte da na√ß√£o brasileira. ‚ÄúSer diferente √© um direito. A minha diferen√ßa n√£o pode prejudicar o outro, tem que ser um modo de enriquecer a conviv√™ncia – em um sentido de valorizar os modos diferentes de ser, viver e pensar, todos como igualmente valiosos‚ÄĚ, apontou.

A segunda mesa, ‚ÄúBranquitude e racismo: o papel das escolas‚ÄĚ, contou com a participa√ß√£o de Eug√™nio Lima, pai e integrante da Comiss√£o Antirracista do Col√©gio Equipe; e Ana Bergamin, membro do Comit√™ da Diversidade Racial da Escola Veracruz; e a media√ß√£o de Luciana Alves, consultora para rela√ß√Ķes raciais e educa√ß√£o do CEERT.

‚ÄúH√° um privil√©gio branco no Brasil que precisamos desconstruir. Onde n√≥s falamos sobre privil√©gio, falamos da aus√™ncia de direitos. E assim como a aboli√ß√£o √© fruto de um movimento popular de luta, o combate ao racismo segue essa luta e o combate ao privil√©gio √© parte importante disso. A gente precisa admitir o privil√©gio e ouvir as vozes silenciadas at√© hoje‚ÄĚ, alertou Ana.

Eug√™nio apontou que n√£o h√° justificativa para que um pa√≠s com 54% da sua popula√ß√£o negra afrodescendente tenha t√£o pouca representatividade nos postos de decis√£o. ‚Äú√Č importante que a ideia de que pessoas negras podem ocupar todos os espa√ßos seja naturalizada. A gente faz isso em benef√≠cio das crian√ßas negras, n√£o para criar uma pretensa diversidade para aquietar o sentimento de culpa da branquitude, mas para uma mudan√ßa estrutural. √Č uma repara√ß√£o hist√≥rica‚ÄĚ, disse.

 

Confira as edi√ß√Ķes anteriores do No Ch√£o da Escola, sobre educa√ß√£o no contexto da pandemia e sobre cinema e educa√ß√£o na promo√ß√£o de direitos humanos. Assista ao segundo encontro da jornada formativa no ‚ÄúNo Ch√£o da Escola: educa√ß√£o antirracista‚ÄĚ aqui:

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